MUDANÇAS NO BLOG
O blog agora está neste endereço virtual: http://otudoeonadaaomesmotempo.blogspot.com/ Visitem! =))
Escrito por :-) às 08h00
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Atualização
Olá!
O blog só voltará a ter novos posts após o dia 08 de junho. Nesse período estarei estudando para concursos.

Escrito por :-) às 15h52
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COLHENDO DOCES MORANGOS SILVESTRES

Sempre adorei cinema e quem me conhece sabe disso. Interesso-me pela arte em si, pelo contentamento das percepções, pelo ofício artesanal das idéias, pelos estímulos sensoriais. Meu gosto pela película vai além de um prazer momentâneo. Não costumo alardear sobre o número de filmes a que assisti. Aliás, não acho que vi muitos, mas para ser sincera, não me importo com quantidade. A maioria dos que assisti foi importante para mim, que considero a sétima arte como um espectro da vida, um reflexo da natureza humana. Como diz Edgar Morin, o cinema é um sonho coletivo. Nós nos reencontramos com as grandes tendências do imaginário, com as lendas, com os romances, e o imaginário é a maneira mais pura de traduzir as aspirações das tragédias dos seres humanos. A verdade é que por meio do cinema compartilhamos nossa essência como pessoas.
Ao longo da minha incursão no mundo cinematográfico negligenciei alguns cineastas. Confesso que me arrependo... Um deles foi o sueco Ingmar Bergman que, por ser fascinado por temas existencialistas, soube traduzir como poucos a alma humana, fazendo-nos perceber que era preciso enxergar muito mais além para deixarmos de ser "analfabetos emocionais". Apesar de ouvir falar muito sobre ele, nunca passei da linha da pesquisa até que Cello, meu marido, incentivou-me a alugar Sétimo Selo para que pudéssemos apreciar sua obra juntos. A partir desse filme enigmático e tão diferente do ritmo frenético dos atuais, foi despertada a curiosidade em assistir a mais obras de Bergman.
Sétimo Selo, Monika e o Desejo, Persona, Cenas de um Casamento. Foram apenas quatro filmes assistidos num espaço de tempo reduzido, mas que nos proporcionaram discussões extremamente interessantes sobre os padrões de comportamento. O último, aliás, não é um filme, trata-se de uma série em cinco capítulos feita para TV sueca, o que me faz pensar em como o povo daquele país é privilegiado em ter visto, de suas casas, uma obra tão interessante... A história é sobre um casal que está junto há dez anos e aparentemente feliz, sem se dar conta da grande atrofia emocional que tomou conta de suas vidas, do amor que foi morrendo à medida que os problemas foram aparecendo sem serem solucionados em conjunto.
Bergman conseguiu mostrar todas as fraquezas de gênero, medos e angústias comuns. Por meio de seus personagens abordou a falta de zelo em não cuidar do outro, a negação do compromisso, a covardia em não querer enxergar os problemas, a omissão em percebê-los, mas não enfrentá-los, o egoísmo em só pensar em si, desrespeitando os sentimentos alheios e até mesmo a falta de amor próprio, que gera a submissão. Sem dúvida, uma temática tão vasta que instantaneamente nos leva a refletir. Se você não se sentiu incitado a ir a uma locadora e alugar seus filmes, eu lanço, aqui, um desafio: assista apenas a um dos filmes de Bergman e me diga se não procurou por mais.
Para quem quiser saber mais sobre o cineasta, abaixo segue o link do site UOL Educação com a biografia do diretor.
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u271.jhtm
Categoria: Crônicas
Escrito por Artesã das Palavras às 19h57
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HORA DE PENSAR
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade".
Carlos Drummond de Andrade
Escrito por Artesã das Palavras às 14h54
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LEITURA VISUAL

17/11/2007 - Copacabana/RJ
Dizem que uma imagem diz tudo... É verdade.
Categoria: Reflexões
Escrito por Artesã das Palavras às 16h58
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STARDUST
 
Fantasia. Há muitos que torcem o nariz para o gênero, que para mim, traduz a forma mais eficaz de escapismo da realidade. Digo fuga, mas aquela intencional, momentânea. Um transporte lúdico que utilizamos para descansar a mente e nos divertir. Sim, porque nem sempre desejamos interpretar repertórios densos. Viajar por meio de imagens sensoriais é uma experiência única. Um exemplo do que falo é o filme Stardust – O Mistério da Estrela, do escritor inglês Neil Gaiman.
Pela primeira vez segui o caminho inverso: vi o filme para depois ler o livro. Em princípio, apenas conhecia Gaiman por suas histórias um tanto sombrias, mas igualmente inteligentes sobre a psique humana ambientada no mundo onírico: Sandman. O marcante da sua narrativa é o jogo de palavras e sua capacidade de nos falar sobre o íntimo humano usando metáforas existentes apenas no imaginário. Quando li uma de suas obras pela primeira vez – Sandman: Casa de Bonecas –, percebi que não se tratava de um escritor qualquer, pois conseguir escrever para adultos utilizando um meio que muitos consideram como sendo“infantil” ( os quadrinhos) não é tarefa fácil.
Acostumada com os temas um tanto obscuros presentes na sua obra, surpreendi-me com as cenas cômicas do filme Stardust. Lendo o livro, percebe-se que muita coisa mudou. Gaiman tem de fato um lado meio sombrio e esta faceta não foi muito explorada no filme. Ao que parece, optou-se por criar uma longa aventura com generosas pitadas de humor, certamente, objetivando atrair mais pessoas ao cinema. Esquecendo-se que no livro mais detalhes são contados e que na tela grande algumas informações e personagens são omitidos, o filme é excelente para o que pretende fazer, que é divertir, sem profundos questionamentos filosóficos ou análises de comportamento. É uma pena que a produção que custou US$ 65 milhões, em parte devido aos efeitos especiais, não tenha obtido êxito nas bilheterias americanas e brasileiras.
“Somos humanos porque olhamos as estrelas ou olhamos as estrelas porque somos humanos?” É com essa frase, dita pelo ator Ian McKelle, que se inicia o filme, cujo roteiro é despretensioso, levado de forma leve como uma melodia, às vezes lenta, outras eletrizante. Difícil é não lembrar dos contos de fada que povoaram nossa imaginação na infância, pois na história não faltam elementos desse tipo de literatura: são príncipes, bruxas, reinos encantados, disputas e romances.
Stardust narra a história de Tristan (Charlie Cox), que vive num vilarejo conhecido como Wall (muralha). Essa muralha, que de fato existe na cidade, divide o mundo real do mágico. Numa noite, tentando conquistar o coração da fria Victoria (Siena Miller), por quem é apaixonado, o herói promete trazer para amada a estrela cadente que ambos viram cair. O que o jovem acaba descobrindo é que a estrela é, na verdade, uma garota chamada Yvaine (Claire Danes). A partir daí, o jovem Tristan dará início a uma longa aventura. Indo além da muralha de sua cidade, ele acaba se distanciando do que lhe é familiar e descobrindo suas origens. Sua jornada representará não somente o vislumbramento de um novo mundo, mas uma viagem ao seu interior, tendo como conseqüência seu próprio amadurecimento.
Além de Tristan, outros buscam a estrela cadente cujo coração fornece a juventude eterna a quem ele pertença. Os quatro filhos do rei de Stormhold (Peter O'Toole) e os espíritos de seus três filhos já falecidos também estão atrás dela, assim como a feiticeira Lamia (Michelle Pfeiffer) e suas duas irmãs bruxas que desejam ser para sempre jovens e belas. Há ainda um pirata hilário, o capitão Shakespeare (Robert De Niro), que ajuda o casal a fugir de seus inimigos. Como pode se perceber, trata-se de um elenco de estrelas, num filme que fala exatamente sobre elas.
Categoria: Resenhas
Escrito por Artesã das Palavras às 11h03
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ALÉM DO SUPERFICIAL

Abaixo segue um ótimo texto que curiosamente li, pela primeira vez, numa prova de concurso. Oportunidade para refletir, sobretudo para quem vive nesta sociedade, em que corpos se assemelham a manequins expostos em vitrines. Todos feitos de plástico ou fibra. Alguns exibindo uma bela roupagem, é verdade, mas constituídos de material inferior.
COM QUE CORPO EU VOU?
Maria Rita Kehl, Folha de São Paulo, 30/06/2002
O cuidado de si volta-se para a produção da aparência,
segundo a crença já muito difundida de que a qualidade do
invólucro muscular, a textura da pele e a cor dos cabelos
revelam o grau de sucesso de seus “proprietários”. Numa praia
carioca, escreve Stéphane Malysse, as pessoas parecem
“cobertas por um sobrecorpo, como uma vestimenta muscular
usada sob a pele fina e esticada...”
São corpos em permanente produtividade, que
trabalham a forma física ao mesmo tempo em que exibem
os resultados entre os passantes. São corpos-mensagem,
que falam pelos sujeitos. O rapaz “sarado”, a loira siliconada,
a perna musculosa ostentam seus corpos como se fossem
aqueles cartazes que os homens sanduíches carregam nas
ruas do centro da cidade. “Compra-se ouro”. “Vendem-se
cartões telefônicos”. “Belo espécime humano em exposição”.
A cultura do corpo não é a cultura da saúde, como
quer parecer... É a produção de um sistema fechado, tóxico,
claustrofóbico. Nesse caldo de cultura insalubre,
desenvolvem-se os sistemas sociais da drogadição (incluindo
o abuso de hormônios e anabolizantes), da violência e da
depressão. Sinais claros de que a vida, fechada diante do
espelho, fica perigosamente vazia e sem sentido.
Categoria: Reflexões
Escrito por Artesã das Palavras às 16h32
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SAMBA DO AVIÃO

Quem já não brincou de ver desenhos nas nuvens? Eu brinquei. Você não? Já vi, no céu, papagaios, borboletas, elefantes, balões, pessoas... Quando a garotada se juntava, cada um tentava encontrar novas formas e, como tudo na infância, a brincadeira acabava virando uma festa. Uma verdadeira maratona imagética que me brindou com as mais elaboradas figuras criadas pela imaginação.
Às 6 horas, estava mirando novamente as nuvens e recordando essa bela fase de nossas vidas... Não conseguia ver formas, porque eu estava literalmente “nas nuvens”, na verdade, sobre elas, em pleno vôo. Meu destino era o mais improvável, ao menos durante meus últimos 26 anos: Rio de Janeiro. Sair de uma cidade charmosamente pequena (Natal) para uma que, para mim, era um verdadeiro mistério, instigava-me.
Após algum tempo de viagem, com o medo do apagão aéreo rondando e uma conexão não programada na terra do senhor do Bonfim, estávamos próximos de chegar ao nosso destino. Não consegui “pregar os olhos” a noite inteira, mas me assustei com a facilidade com que as pessoas conseguiam passear pelos domínios de Morpheu, enquanto estavam “presos” naquele espaço diminuto que só propiciava o aparecimento de câimbras... Um até roncava ao meu lado! Parecia tão fácil sonhar... Mas meus olhos continuavam vidrados na janela, tentando ver o horizonte.
Além do fato da maioria conseguir dormir, ninguém a não ser eu, parecia sentir pressão e dor nos ouvidos. Dor e surdez momentânea, que tormento! Lembrei do médico que me fez recomendações, quando realizei minha primeira viagem de avião, há mais de 15 anos. Ele dizia: “Masque chiclete, minha filha”. Que nada... Isso era inútil para meus ouvidos sensíveis, para não dizer “frescos”.
Durante a viagem, ainda pedi um analgésico, na esperança do incômodo passar, mas a aeromoça, com um sorriso mecanicamente gentil e um tanto sem graça, disse que contra dor, não havia remédio ali... “Você quer mais uma barrinha de cereal?”, perguntou na esperança de se livrar de mim rapidamente. “Não, obrigada... Aceito amendoim!”, tentei me animar. Algum tempo depois, escutei o piloto avisar que, em alguns minutos, iríamos pousar, foi então que fiquei surpresa e só consegui dizer: “UAU!!!”
A paisagem era belíssima! Estávamos sobrevoando as montanhas em meio ao sol que brilhava timidamente, afinal, acabara de nascer. “O que será que me aguardaria por trás daquelas montanhas?”, perguntei-me, enquanto uma onda de entusiasmo e curiosidade tomava conta de mim. Foi então que refleti sobre o medo que muitos tinham em tentar descobrir o que havia do outro lado. Muitos passavam anos, às vezes, toda a existência, apenas as observando, inertes, enquanto os mais aventureiros subiam até o topo e vislumbravam outro horizonte.
Eu, ao contrário, estava fazendo aquele percurso. Na mala, além das lembranças, trazia um misto de sentimentos bons. Fiquei orgulhosa de minha atitude. Estava muito feliz com tudo que ainda iria me acontecer, após passar pelo cume das montanhas: o amadurecimento, as surpresas, os desafios, as alegrias... Muitos acontecimentos estavam por vir. Enquanto me perdia em meus pensamentos, tentando visualizar o futuro, fomos avisados que deveríamos “apertar os cintos”, pois iríamos pousar. Enfim, chegara a hora de descobrir os “mistérios” da Cidade Maravilhosa... Era um novo horizonte para mim, contudo, naquele instante, desejava ansiosamente apenas uma coisa: um abraço. Um abraço bem apertado e carinhoso de quem estava me esperando do outro lado...
“Minha alma canta Vejo o Rio de Janeiro Estou morrendo de saudades Rio, seu mar Praia sem fim Rio, você foi feito prá mim Cristo Redentor Braços abertos sobre a Guanabara Este samba é só porque Rio, eu gosto de você A morena vai sambar Seu corpo todo balançar Rio de sol, de céu, de mar Dentro de um minuto estaremos no Galeão”
P.S: Fofinho, I LoVe YoU!
Escrito por Artesã das Palavras às 09h55
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DA PRIMEIRA LETRA AO PONTO FINAL

“Tic tic tic". Esse era o som que a caneta fazia ao tocar, repetidamente, a mesa de madeira. O olhar dela era fixo... Em qualquer ponto do cômodo. As pernas cruzadas tentavam aparentar uma tranqüilidade que não existia e que era denunciada pelo pé que se movia, seguindo a melodia ruidosa da caneta na mão direita.
Em alguns momentos, porém, fatigada pelo esforço mental (em vão, diga-se), encostava-se à cadeira como se quisesse deitar... E dormir. Para que num sonho, quem sabe, as idéias surgissem. Não ousava olhar para o relógio, pois sabia que ali estariam “estampadas” as horas de sofrimento.
O barulho continuava ressoando em sua mente, dessa forma, tinha esperança de que as sinapses fossem aceleradas... Esse foi o motivo pelo qual ela insistiu em pegar a caneta e o papel ao invés de digitar o que vinha à cabeça, no computador, que se encontrava à sua frente. O papel continuava em branco. O que existiam, porém, eram as constantes indagações: “Onde se encontrava aquela criança imaginativa? Onde estaria a criatividade de outrora? Em que lugar havia se escondido a habilidade com as palavras escritas?”, perguntava-se como que, num passe de mágica, pudesse encontrar todas as respostas.
A primeira letra da primeira linha... (Branco!) “Iniciar é sempre traumático. Um trauma psicológico superado pela necessidade”, pensou. Quando se é obrigado a começar várias vezes ao dia, em praticamente todos eles, ainda assim não deixa de ser difícil. Nunca é algo automático, mas acaba sendo um exercício que, se praticado com empenho, acaba tendo resultados positivos. Ela, que havia trabalhado numa redação de jornal, sabia bem disso, contudo, os anos de treinamento não estavam lhe servindo naquele momento.
O cheirinho de café, que vinha da cozinha e acordou os seus sentidos, fez com que percebesse que muito tempo se passara e de nada adiantaria ficar ali. “Hoje não fui visitada pela deusa da inspiração”, disse para si, desanimada, enquanto procurava a roupa de dormir para se dirigir à sua cama, que já recebia a visita dos primeiros raios de sol que entravam pela janela.
Foi preciso vários dias para que a coragem resolvesse reaparecer. Sim, porque, às vezes, a coragem lembrava sua astuta gata Chiquita, quando pressentia que tomaria um bom banho e saia sorrateiramente sem que ninguém percebesse ou a encontrasse depois. Uma coisa a intrigava: por que seria necessário se valer justamente da coragem para rabiscar umas poucas linhas?
Refletiu que talvez fosse medo, pois é sempre é difícil começar, seja quando aquilo que escrevemos, anteriormente, não tenha sido tão “brilhante” quanto gostaríamos, portanto, haveria receio de repetir o mau trabalho ou quando o oposto acontece e o que fizemos antes foi tão satisfatório que constituiria um desafio superá-lo.
Mas como vencer o medo? Perguntava-se. O caminho seria tentar escrever várias vezes se preciso, mas nunca usando aquela mesma idéia que não deu certo. Insistir no erro não seria prova de perseverança, pensava ela, mas de falta de visão ou covardia em não desejar mudar. A ousadia, sem que fosse esquecida a prudência no trato com a língua, poderia transformar um singelo esboço num belo texto. A partir daí, uma folha de papel branco poderia ser colorida. As palavras têm vida para quem as redige. O texto existe para quem o faz.
Após meditar sobre tudo, ela tentou novamente, agora, mais confiante. Os mesmos elementos estavam lá: o relógio, o computador, a caneta, a cadeira e o cheirinho de café que invadia a casa todas as manhãs, no entanto, havia uma diferença: o aroma que sentia anunciava o fim. O fim de um texto “redondo” que a deixou imensamente contente, afinal, ela havia conseguido mais uma vez.
Escrito por Artesã das palavras às 21h23
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